A Mineração no Brasil Colonial
A Mineração no Brasil Colonial
A época da mineração no período colonial
abrangeu basicamente o século XVIII, com o seu apogeu entre 1750 e 1770. Nessa
fase da vida econômica da colônia que se voltou quase que exclusivamente para o
extrativismo mineral, as principais regiões auríferas foram Minas Gerais, Mato
Grosso e Goiás. Anteriormente, já haviam ocorrido as explorações do ouro de
lavagem, em São Paulo, Paraná e Bahia, mas, com resultados inexpressivos.
Após sua extração, o ouro era levado para as Casas de Fundição. Ali, era quintado, fundido e transformado em barras, assegurando o controle dos lucros da exploração aurífera pela coroa portuguesa.
A mineração dos anos setecentos foi
desenvolvida a partir do ouro de aluvião, tendo como características o
baixo nível técnico e o rápido esgotamento das jazidas. No extrativismo
aurífero, as formas de exploração mais comuns encontradas eram as lavras e
a faiscação. A primeira representaria uma empresa em que era utilizada a
mão-de-obra escrava e se aplicava uma técnica mais apurada. Já a
faiscação era a extração individual, realizada principalmente por homens
livres.
Legislação, órgãos e tributos da mineração
Legislação, órgãos e tributos da mineração
A organização da exploração aurífera começou em
1702, quando o Estado português editou o Regimento das Terras Minerais,
disciplinando a exploração aurífera estabelecida pela Carta Régia de 1602, que
declarava a livre exploração, mediante o pagamento do quinto; em outras
palavras, a quinta parte do que se extraía (20%) era o imposto devido à
metrópole. Por esse regimento, organizava-se a distribuição das jazidas que
eram divididas em datas - porções das jazidas que representavam a unidade de
produção - e passadas para os exploradores mediante o sistema de sorteio,
promovido pela Intendência das Minas, principal órgão de controle e de
fiscalização da mineração do ouro.
No que refere a tributação, inicialmente existia o
quinto, cuja cobrança era dificultada pela circulação do ouro em pó, que
permitia a prática cotidiana do contrabando; como exemplo, o ouro era
contrabandeado na carapinha dos escravos ou nos famosos santos de pau oco.
Com o intuito de efetivar sua cobrança e evitar o contrabando, em 1720, foram
criadas as Casas de Fundição - que só vieram a funcionar em 1725, em
Vila Rica - com a finalidade de transformar o ouro em barras timbradas e
quintadas. Em 1730, o quinto foi reduzido para 12% e, em 1735, foi criado um
novo imposto, a capitação, onde se cobrava 17 gramas por escravo em
atividade na mineração.
Em 1750, época do apogeu do ouro, foi instituído o
quinto por estimativa, conhecido como finta, ou seja, a fixação de uma
cota fixa de 100 arrobas que incidia sobre toda a região aurífera. A partir
daí, já com o prenúncio da decadência da mineração, essa cota não era
alcançada, gerando-se o déficit que se avolumava a cada ano. Com isso,
em 1765, foi instituída a derrama, forma arbitrária de cobrança do
quinto atrasado, que deveria ser pago por toda a população da região, inclusive
com bens pessoais. E esse quadro, marcado pela extorsiva tributação, aumentou
o descontentamento contra os abusos da metrópole.
A exploração dos diamantes
A exploração dos diamantes
Por volta de 1729, Bernardo da Fonseca Lobo descobriu
as primeiras jazidas diamantíferas no arraial do Tijuco ou Serro Frio,
hoje Diamantina. Teve início, assim, a exploração dos diamantes, que, como a
do ouro, também era considerada um monopólio régio.
Em 1733, foi criado o Distrito Diamantino,
única área demarcada em que se podia explorar legalmente as jazidas. A
exploração era livre, mediante o pagamento do quinto e da capitação sobre o
trabalhador escravo. Em 1739, a livre extração cedeu lugar ao sistema de contrato,
que deu origem aos ricos contratadores, como João Fernandes,
estreitamente ligado à figura de Xica da Silva.
Diante das irregularidades e do
desvio dos impostos, além do alto valor que alcançavam as pedras na Europa, em
1771, foi decretada a régia extração, que contava com o trabalho de
escravos alugados pela coroa. Posteriormente, com nova liberação da exploração,
foi criado o Livro de Capa Verde, contendo o registro dos exploradores,
e o Regimento dos Diamantes, procurando disciplinar a extração. Contudo,
o monopólio estatal sobre os diamantes vigorou até 1832.
As conseqüências da mineração
As conseqüências da mineração
A mineração foi responsável por importantes
conseqüências que se refletiram sobre a vida econômica, social, política e
administrativa da colônia. De saída, provocou uma grande migração portuguesa
para a região das Gerais. Segundo alguns autores, no século XVIII,
aproximadamente 800.000 portugueses transferiram-se para a colônia, o que
corresponderia a 40% da população da metrópole.
No Brasil, paralelamente a isto, ocorreu um
deslocamento do eixo econômico e demo gráfico do litoral para a região
Centro-Leste, acompanhado da intensificação do tráfico negreiro e do
remanejamento do contingente interno de escravos. Com isso, a colônia conheceu
uma verdadeira explosão populacional, ultrapassando com folga a casa de
um milhão de habitantes, no século XVIII.
O entorno da região mineradora, compreendendo o eixo
Minas-Rio de Janeiro, passou a ser o novo centro de gravidade econômica, social
e política da colônia; em 1763, um decreto do marquês de Pombal transferiu a
capital de Salvador para o Rio de Janeiro.
Geradora de novas necessidades, a mineração condicionou
um maior desenvolvimento do comércio, associado ao fenômeno da urbanização.
Desenvolveu-se o mercado interno, possibilitando a dinamização de todos
os quadrantes da colônia, que se organizaram para abastecer a região do ouro. A
vida urbana e o próprio caráter da exploração aurífera geraram uma sociedade
mais aberta e heterogênea, convivendo lado a lado o trabalho
livre e o trabalho escravo, embora este fosse predominante. Como conseqüência,
a concentração de renda foi menor, enriquecendo, principalmente, os setores
ligados ao abastecimento.
Finalmente, a "corrida do ouro" promoveu
a penetração e o povoamento do interior do Brasil, anulando em
definitivo a velha demarcação de Tordesilhas.
Uma cultura mineira
Uma cultura mineira
Todo o conjunto de conseqüências, anteriormente citadas,
refletiu-se na vida cultural e intelectual da mineração, marcada por um
notável desenvolvimento artístico.
Na literatura, destacaram-se os poetas intimamente
relacionados ao Arcadismo. Na arquitetura e na escultura, emergiram as figuras
de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e mestre Valentim, nomes
importantes do barroco mineiro.
Na música, além da disseminação de uma música
popular - modinhas e lundus - sobressaíram-se os grandes mestres da música
sacra - barroca, com as missas e réquiens de Joaquim Emérico Lobo de
Mesquita e do padre José Maurício Nunes Garcia.
Nesse contexto, a influência européia, com os novos
princípios liberais disseminados pela Enciclopédia, alimentaria o
primeiro movimento de caráter emancipacionista: a Inconfidência Mineira.
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